DEPRESSÃO EM IDOSOS

A velhice é um triste inventário de perdas e limitações” - Em seu dia-a-dia, o idoso está em uma situação de perdas continuadas. A diminuição do suporte sócio-familiar, a perda do status ocupacional e econômico, o declínio físico continuado, a maior freqüência de doenças físicas e a incapacidade pragmática crescente compõem o elenco de perdas suficientes para um expressivo rebaixamento do humor. Também do ponto de vista biológico, na idade avançada é mais freqüente o aparecimento de fenômenos degenerativos ou doenças físicas capazes de produzir sintomatologia depressiva.

Ocorre a diminuição da: visão, audição, força e a precisão manuais, robustez e a flexibilidade, rapidez na execução de tarefas, memória, imaginação, criatividade, adaptação, atenção, energia, iniciativa e sociabilidade.

É através dessa percepção da nova realidade que a saúde mental é afetada (saúde mental pode ser entendida como o equilíbrio psíquico que resulta da interação da pessoa com a realidade). Essa realidade é o meio circundante que permite à pessoa desenvolver suas potencialidades humanas e, normalmente, essas potencialidades estão estreitamente associadas à satisfação das necessidades humanas.

Dificuldades do Diagnóstico

A pessoa que sofre com a depressão, algumas vezes, tem dificuldade em se reconhecer doente e não procura um tratamento. A religiosidade exerce influência: algumas pessoas consideram a doença como castigo. Na cultura de hoje, se criou à idéia que o homem está “proibido” de ficar doente (a depressão acomete tanto homens quanto mulheres). Todos esses fatos atrasam e dificultam o diagnóstico, podendo se agravar a doença.

Em relação a classe médica há uma dificuldade em se reconhecer a doença precocemente, consideram os sintomas como decorrente da própria condição clínica e por não te provas laboratoriais (é um diagnóstico clínico).

Critérios para Episódio Depressivo Maior

Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estivessem presentes durante o mesmo período de 2 semanas e representam uma alteração a partir do funcionamento anterior; pelo menos um dos sintomas é 1.) humor deprimido ou 2.) perda do interesse ou prazer.

1. Humor depressivo durante a maior parte do dia, indicado por relato subjetivo ou observação de terceiros;
2. Diminuição importante do interesse ou prazer em todas, ou quase todas, as atividades;
3. Perda ou ganho de peso significativos, ou aumento ou diminuição do apetite;
4. Insônia ou aumento do sono;
5. Fadiga ou perda de energia, agitação ou retardo psicomotor, observado necessariamente por terceiros;
6. Sentimentos de menos-valia ou culpa excessiva e inapropriada;
7. Diminuição da capacidade de concentração ou indecisão;
8. Pensamentos recorrentes de morte, ideação suicida;

Os sintomas devem causar sofrimento significativo ou prejuízo ocupacional, social ou em outras áreas importantes de funcionamento. Não devem ser causados por uso de substâncias, nem por uma condição médica.

Segundo a CID (Classificação Internacional das Doenças), Depressão Maior caracteriza-se pela presença mínima de 2 dos seguintes sintomas:
- Humor depressivo em um grau anormal para o indivíduo;
- Perda de interesse ou prazer em atividades antes prazerosas;
- Energia diminuída ou fatigabilidade aumentada;
- Perda de confiança ou auto-estima;
- Sentimento de culpa ou auto-reprovação;
- Pensamentos de morte ou suicídio;
- Alteração na atividade psicomotora (agitação ou lentificação);
- Indecisão ou perda de concentração;
- Alteração do sono e alteração do apetite.

Sintomas

• Humor deprimido: tristeza;
• Diminuição de gosto, prazer, satisfação;
• Perda ou ganho de peso;
• Alteração do sono;
• Fadiga;
• Cansaço fácil;
• Sentimentos: ruína; fracasso; menos valia;
• Perda de interesse;
• Retardo motor;
• Pessimismo;
• Alteração na concentração;
• Dificuldade de fixação;
• Pensamentos: de culpa; de morte.

Causas Orgânicas

• Medicamentos;
• Substâncias de abuso;
• Doenças neurológicas;
• Doenças infecciosas;
• Neoplasias;
• Doenças metabólicas e endócrinas;
• Doenças cardiovasculares.

Prevalência

- 14,7% com sintomas depressivos (3,7% com depressão maior)
- Ambulatórios Gerais: 14 a 52% de depressão (Mayou e Hawton 1986)
- Pacientes hospitalizados; 30 a 35% (Alexopoulos, 1996).

Sintomas Cognitivos são mais intensos em Idosos Deprimidos:
1. Memória
2. Dificuldades nas atividades intelectuais
3. Perda de concentração
4. Lentidão de raciocínio

Fatores que Induzem a Depressão

1. Perdas (por morte de amigos, cônjuge e pela saída dos filhos da casa)
2. Diminuição dos recursos financeiros (aposentadoria).
3. Diminuição das funções sociais com isolamento.
4. Diminuição da independência (diminuição da saúde + mobilidade)
5. Diminuição de suportes sociais
6. Diminuição das capacidades cognitivas.

Fatores de Risco

• História familiar (casos na família);
• Raça: branca é mais acometida;
• Acontecimentos da vida;
• Personalidade: timidez, inibição, insegurança, etc.;
• Experiências da vida: experiências negativas;
• Sexo: maior incidência em mulheres;
• Parto;
• Relacionamentos íntimos: pessoas com maior convívio social ou ter uma vida estruturada estão mais protegidas.

Depressão e Doença Física

- A associação entre depressão e doenças físicas é freqüente em idosos.
- 35-45% dos idosos internados por problemas físicos apresentam síndromes depressivas.
- Diferenciação pode ser difícil.
- Evolução de forma menos satisfatória.
- Maior tempo de permanência no hospital.
- Maior mortalidade.

A depressão pode estar relacionada à gravidade da doença e à incapacitação funcional.

A Depressão Pode Ser:

1. Primária: depressão coexistindo com a doença física; depressão com intensos sintomas físicos; depressão com doença física secundária

2. Secundária a doença física: depressão causada pela doença física; depressão reativa a doença física

Depressão de Início Tardio

- Menor freqüência de história familiar de transtornos afetivos;
- Maior relação com eventos vitais negativos;
- Maior associação com doenças crônicas;
- maior prevalência de demência e risco de apresentar demência no seguimento;
- Maior prejuízo em testes neuropsicológicos;
- Maior número de alterações de exames complementares como de neuroimagem estrutural;
- Menor resposta aos antidepressivos.

Formas de Associação entre Depressão e Demência

- Depressão na demência: Sintomas depressivos são considerados parte integrante da demência tanto com a reação psicológica, com a conseqüência direta do distúrbio orgânico cerebral.
- Demência com depressão: Distúrbios coexistem mas estão menos intimamente relacionados. A depressão se impõe ao quadro demencial já instalado.
- Depressão com deficiências cognitivas: Sintomas cognitivos são parte integrante do quadro clínico da depressão associados a outros sintomas depressivos.
- Demência na depressão (pseudodemência): Deficiências cognitivas muito pronunciadas com o quadro clínico assemelhando-se ao dos quadros demenciais.

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